Um novo censo sobre a população em situação de rua no Rio de Janeiro revelou que 8.195 pessoas viviam nessa condição, entre moradores de rua e pessoas acolhidas em instituições municipais, segundo dados de 2024 tornados públicos no início de 2026. A divulgação tardia dos dados — o levantamento foi concluído em março de 2025 — gerou críticas à Prefeitura do Rio pela demora em publicar os números e pela falta de divulgação oficial ampla, o que motivou questionamentos do Ministério Público Federal (MPF) à administração municipal.
O estudo mostra que 5.757 pessoas viviam nas ruas e 2.438 estavam em abrigos da cidade, um aumento de aproximadamente 4% em relação ao censo anterior, de 2022. Os dados apontam uma tendência de crescimento da população desabrigada na capital fluminense.
Segundo o levantamento, a maior concentração de pessoas sem moradia está no Centro do Rio, seguido por áreas como Botafogo, Méier, Ramos, Bangu e Jacarepaguá. O perfil dos entrevistados indica que a maioria é composta por homens adultos, em sua maioria autodeclarados pretos ou pardos, com níveis de escolaridade baixos e condições de vulnerabilidade social evidentes.
O relatório também mostra que quase metade das pessoas entrevistadas depende de doações para se alimentar, e mais de 30% relataram terem passado pelo menos um dia inteiro sem comer na semana anterior à pesquisa.
Autoridades municipais informaram que os dados estavam disponíveis desde janeiro no portal de dados abertos Data.Rio e foram produzidos em parceria entre órgãos municipais com o objetivo de apoiar políticas públicas. Porém, a divulgação aconteceu de forma discreta, sem destaque institucional e sem ampla comunicação à população.
A publicação tardia dos resultados ocorre em meio a debates sobre a necessidade de políticas públicas mais estruturadas para enfrentar a vulnerabilidade e a falta de moradia na cidade, que tem sido apontada por organizações sociais como uma questão urgente.
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