Capital do ônibus no Brasil, passageiros de São Gonçalo sofrem à espera de um terminal

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Em São Gonçalo, a segunda maior cidade do estado do Rio de Janeiro, a rotina dos usuários de transporte coletivo é marcada por esperas desconfortáveis e inseguras sob sol forte ou chuva. Apesar de mais da metade dos trabalhadores dependerem do ônibus para chegar ao trabalho, a cidade ainda não possui um terminal rodoviário adequado para organizar suas linhas municipais e intermunicipais. 

Atualmente, o que é usado informalmente como “terminal” fica sob o viaduto do bairro Alcântara, onde apenas parte das linhas intermunicipais é atendida. Ao lado, outro espaço próximo ao Pátio Alcântara funciona como terminal, mas atende somente uma empresa, deixando o sistema fragmentado e ônibus terminando suas rotas em plena via pública. 

Essa falta de infraestrutura obriga os passageiros a descerem no meio do tráfego e disputarem espaço com carros, criando um ambiente de risco tanto para quem chega quanto para quem espera os coletivos. 

Dados do Censo 2022 do IBGE mostram que 58,4% dos trabalhadores em São Gonçalo dependem do ônibus para deslocamento ao trabalho, percentual que supera cidades vizinhas e até a capital fluminense. 

A questão da insegurança é recorrente. Moradores relatam que, ao final do dia, retornos ao ponto final sem iluminação adequada expõem usuários à sensação de vulnerabilidade. 

Além do desconforto, o custo também pesa: a tarifa do ônibus municipal subiu de R$ 3,95 para R$ 5,55, e as linhas intermunicipais para o Rio de Janeiro subiram para R$ 9,40 com o Bilhete Único Intermunicipal (BUI). 

A prefeitura, comandada pelo prefeito Capitão Nelson (PL), está executando o projeto Mobilidade Urbana Verde Integrada (MUVI), que inclui novas pistas e faixas exclusivas para ônibus. Na apresentação do projeto em 2022, a administração prometeu também a construção de um terminal rodoviário em Alcântara, mas até o momento não foi divulgado cronograma, localização definida ou detalhes de integração das linhas. 

Procurada, a prefeitura disse que vê como positiva a instalação de um terminal, mas que outras iniciativas foram consideradas mais urgentes devido à limitação orçamentária. A Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana (Setram) ainda não se manifestou sobre estudos ou parcerias para a construção do terminal. 

Para os usuários, um terminal de verdade deixaria de ser um item de luxo e passaria a ser uma necessidade básica de organização urbana, reconhecendo a dimensão da população e a centralidade do transporte coletivo no cotidiano da cidade. 

Foto: Reprodução

Compartilhe:

Siga a gente Instagram | Facebook | Twitter | Youtube

LEIA TAMBÉM

REDES SOCIAIS

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

error: Conteúdo protegido.