O Parlamento Europeu decidiu nesta terça-feira (20 de janeiro de 2026) suspender a tramitação do acordo comercial com os Estados Unidos, que havia sido negociado no verão do Hemisfério Norte e previa a redução ou eliminação de tarifas entre os dois blocos. A medida ocorre em resposta às ameaças do presidente americano Donald Trump de impor novas tarifas a países europeus contrários às suas exigências sobre a Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca que Trump tem tentado influenciar ou adquirir.
Segundo líderes do Parlamento Europeu, as principais bancadas — conservadora, socialista e liberal — concordaram que não é o momento de avançar com a ratificação do acordo em meio à escalada das tensões. O voto que estava previsto para os próximos dias foi adiado, e a aprovação das medidas que permitiriam a eliminação de tarifas sobre produtos industriais norte-americanos foi suspensa.
A suspensão reflete uma reação à postura do governo dos EUA, que anunciou uma nova rodada de tarifas de importação de até 10% (podendo subir para 25%) sobre bens de vários países europeus, caso esses países não cedam às demandas relacionadas à Groenlândia. A proposta de Trump provocou repúdio de líderes europeus e revigorou debates sobre soberania territorial, segurança no Ártico e cooperação transatlântica.
O apoio à suspensão também foi manifestado por importantes aliados europeus: a França declarou seu apoio à medida, classificando o uso de tarifas como “chantagem” e reafirmando que continuará buscando cooperação com os EUA em questões de paz e segurança, mas rejeita propostas inaceitáveis no campo comercial.
A decisão do Parlamento Europeu representa um momento de ruptura nas relações econômicas entre a União Europeia e os Estados Unidos, mostrando como questões geopolíticas — neste caso a disputa sobre a Groenlândia — podem provocar impactos diretos sobre acordos comerciais e política de tarifas.
Foto: Reuters