O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que mais de 101 milhões de brasileiros possuem dívidas no cartão de crédito com juros superiores a 100% ao ano. Os dados, divulgados nesta quinta-feira (26), acendem um alerta sobre o nível de endividamento no país.
Segundo o BC, grande parte dessas dívidas está ligada ao uso do crédito rotativo — modalidade considerada a mais cara do mercado. Esse tipo de crédito é acionado quando o consumidor não paga o valor total da fatura, gerando encargos elevados.
Dados recentes indicam que as taxas dessa linha podem ultrapassar 400% ao ano, tornando a dívida rapidamente impagável para muitos brasileiros.
De acordo com Galípolo, o problema tem se agravado porque muitas pessoas passaram a usar o cartão como complemento de renda, e não apenas em situações emergenciais. Esse comportamento, segundo ele, aumenta o risco de inadimplência e compromete o orçamento das famílias.
O Banco Central também aponta que fatores como inflação acumulada, crises recentes e perda de poder de compra contribuíram para o aumento do endividamento. Nesse cenário, o crédito fácil acabou sendo uma alternativa para cobrir despesas básicas.
Apesar de medidas recentes para limitar os juros do rotativo, a autoridade monetária avalia que os efeitos ainda são limitados e defende a necessidade de mudanças estruturais no sistema de crédito.
O tema tem gerado preocupação no governo federal, que busca alternativas para facilitar a renegociação das dívidas e reduzir o impacto no orçamento das famílias brasileiras.
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