Cultura e fé no Rio de Janeiro: quem foi São Sebastião, padroeiro da cidade e por que ele é visto como símbolo de luta e proteção para a comunidade LGBTQIA+

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

São Sebastião foi um soldado romano e mártir cristão do século III, cuja vida ficou marcada pela fé e pelo martírio após se declarar seguidor de Cristo em um período de perseguição religiosa no Império Romano. Ele teria nascido por volta do ano 250 em Narbonne, no que hoje é o sul da França, e entrou para a história por ajudar outros cristãos condenados à morte, o que o colocou em conflito com as autoridades da época. 

Do soldado ao padroeiro do Rio de Janeiro

A associação de São Sebastião com o Rio de Janeiro remonta ao período colonial: em 20 de janeiro de 1567, data hoje celebrada como feriado municipal, colonizadores portugueses expulsaram os franceses da Baía de Guanabara justamente no dia dedicado ao santo — um episódio que consolidou sua veneração e o tornou padroeiro da cidade. 

Ícone de resistência e símbolo contemporâneo

Embora São Sebastião seja tradicionalmente reverenciado pela Igreja Católica como protetor contra epidemias e pela coragem de sua fé, interpretadores culturais e pesquisadores observaram que sua figura também ganhou significado simbólico moderno para parte da comunidade LGBTQIA+. Isso se deve, em parte, à forma como ele passou a ser retratado na arte renascentista e posterior — como um jovem atlético, quase nu e imerso em sofrimento — imagens que ressoam com temas de vulnerabilidade, resistência e afirmação de identidade. 

Pesquisadores como Richard Kaye argumentam que essa iconografia e a ideia de alguém que enfrentou perseguição por sua identidade e convicções tornaram-no, para algumas pessoas, um símbolo de luta e coragem semelhante à enfrentada pelas pessoas LGBTQIA+ ao se assumirem em contextos de discriminação. 

Distinção entre fé e interpretações culturais

É importante notar que essa leitura de São Sebastião como “protetor dos gays” não é um dogma da Igreja Católica, mas sim uma interpretação cultural e simbólica que surgiu fora do contexto oficial da religião. A veneração tradicional ao santo permanece centrada em sua figura histórica de mártir cristão e padroeiro do Rio.

Foto: Fine Art Images

Compartilhe:

Siga a gente Instagram | Facebook | Twitter | Youtube

LEIA TAMBÉM

REDES SOCIAIS

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

error: Conteúdo protegido.