O ator Wagner Moura, premiado recentemente com o Globo de Ouro de Melhor Ator de Filme em Drama por seu papel em O Agente Secreto, causou repercussão ao comentar em um talk show americano que o longa não teria surgido sem o impacto político do governo de Jair Bolsonaro.
Durante sua participação no programa The Daily Show, apresentado por Jordan Klepper, Moura afirmou que a obra cinematográfica nasceu da “perplexidade” que ele e o diretor Kleber Mendonça Filho sentiram diante do cenário político brasileiro entre 2018 e 2022, marcado pela eleição de um presidente que, segundo ele, trouxe de volta “valores da ditadura militar” ao país. Por isso, ironicamente, o ator disse que “sem ele [Bolsonaro], nunca teríamos feito o filme”.
O longa, ambientado no Brasil em 1977 no contexto da ditadura militar, tem servido como plataforma para discussões mais amplas sobre memória histórica e democracia. Moura também criticou a Lei da Anistia de 1979, argumentando que ela dificultou a preservação da memória dos crimes cometidos durante o regime.
A declaração gerou ampla repercussão por misturar cinema, política e crítica histórica em um programa de grande audiência internacional, reforçando o papel de O Agente Secreto não apenas como obra artística, mas também como comentário sobre questões sociopolíticas do Brasil recente.
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