A edição de 2026 do Sistema de Seleção Unificada (SiSU), usada pelo Ministério da Educação (MEC) para ingresso nas universidades públicas, registrou um fenômeno atípico na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ): um número elevado de vagas não foi preenchido na primeira chamada regular, mesmo em cursos tradicionalmente concorridos como Medicina. A situação tem sido associada às alterações introduzidas no sistema, que passaram a permitir que os candidatos utilizem a melhor nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) dos últimos três anos para concorrer às vagas.
O curso de Medicina da UFRJ, que figura entre os mais disputados do país, teve 97 das 200 vagas remanejadas à lista de espera após a divulgação da chamada regular para 2026 — percentual significativamente maior do que nas edições anteriores, quando foram 47 em 2025 e 57 em 2024. Na unidade de Macaé, também ligada à UFRJ, 39 das 60 vagas ficaram disponíveis na lista de espera, contra 15 e 18 nos dois anos anteriores, respectivamente.
Especialistas ouvidos por veículos de imprensa apontam que a nova regra que aceita notas de diferentes edições do Enem pode ter contribuído para esse cenário. A possibilidade de competir com notas antigas, sem compromisso de matrícula imediata ou mudança de cidade, teria levado alguns estudantes a se inscreverem apenas para “testar” as chances de aprovação, sem intenção explícita de ocupar a vaga de imediato.
Esses efeitos não se limitaram à Medicina. Na UFRJ, diversos cursos viram um aumento no número de vagas não ocupadas na primeira chamada, com destaque para Direito em turno integral, que passou de 181 vagas em lista de espera para 235 na edição de 2026.
Até o momento, a Pró-Reitoria de Graduação da UFRJ tem afirmado que a avaliação completa do impacto das mudanças será realizada após a conclusão de todas as convocações e matrículas, incluindo o mapeamento de quais edições do Enem foram usadas pelos candidatos classificados. O MEC também informou que acompanhará os indicadores do processo seletivo e fará análises técnicas ao final da etapa de matrículas, considerando padrões de escolha e dinâmica de classificação.
Foto e crédito: Reprodução/Portal UFRJ